Bronquiectasia

 Uma das doenças que acomete o pulmão é a Bronquiectasia que pode ser congênita ou adquirida. Nesta doença há uma dilatação dos brônquios que é irreversível havendo retenção de líquido e morte celular.

Na bronquiectasia congênita há uma formação inadequada do broto pulmonar e consequente retração pulmonar, onde não há função pulmonar. A bronquiectasia adquirida uma agressão a via aérea ou uma obstrução que levará ao dano na árvore brônquica. Os sintomas são: escarro purulento, tosse produtiva e infecção respiratória repetidas vezes.

bronquiectasia se caracteriza por um alargamento em caráter irreversível dos brônquios ou dos dutos respiratórios, como resultado de uma lesão que acontece na parede das vias aéreas do paciente. Essa doença foi identificada em 1819. E o responsável foi a mesma pessoa que inventou o aparelho chamado estetoscópio.

Esse problema pode acontecer quando algum problema clínico causa uma lesão na parede brônquica, ou causam lesão de forma indireta, interferindo nos mecanismos de defesa das vias aéreas. Dentre as defesas normais das vias aéreas estão as projeções minúsculas (ou os cílios) sobre células do revestimento, e a camada de muco. 

Os cílios ficam balançando de um lado e do outro, para frente e para trás, e movem a camada líquida fina de muco que, geralmente, serve para revestir vias aéreas. Dessa forma, as bactérias presas no muco e as partículas nocivas acabam sendo transportadas para a garganta para, enfim, serem expelidas por meio da tosse ou até engolidas mesmo.

A lesão que acontece na via aérea pode ser tanto direta quanto indireta que, ainda assim, irá danificar as áreas da parede brônquica, e causar inflamação crônica. Com isso, a parede fica menos elástica devido à inflamação, o que faz com que as vias aéreas que foram atingidas se dilatem. Além do mais, a lesão também provoca o aparecimento de bolsas parecidas com pequenos balões.

Com a inflamação, também acontece um aumento de muco. E esse muco, ou secreção, tende a se acumular nas vias aéreas dilatadas, pois as células ciliadas foram destruídas ou danificadas. Tudo isso torna o ambiente propício à proliferação de bactérias, que causam mais danos ainda à parede brônquica. O resultado é um verdadeiro círculo vicioso de lesões nas vias aéreas e de infecção.

Brônquio Normal e Bronquiectasia

Brônquio Normal e Bronquiectasia

Várias áreas do pulmão podem ser afetadas pela bronquiectasia (nesse caso, recebe o nome de bronquiectasia difusa), ou apenas uma ou duas áreas (também chamada de bronquiectasia focal). A bronquiectasia, geralmente, provoca a dilatação de médio porte das vias aéreas. Porém, em muitos casos, as vias aéreas pequenas, ou menores, acabam sendo destruídas ou ficando com alguma cicatriz.

• A grande maioria dos pacientes acabam desenvolvendo tosse crônica. Em alguns casos, os pacientes podem até tossir sangue e apresentar dor torácica, além de pneumonia recorrente.

 Em muitos casos, os pacientes recebem tratamentos à base de medicamentos inalatórios, de antibióticos ou de outras formas de tratar o acúmulo de muco, seja suprimindo-o ou eliminando-o

• As principais causas da bronquiectasia são infecções respiratórias repetidas ou graves, que são mais comuns em pacientes que já apresentam algum tipo de problema nos pulmões ou no sistema imunológico;

 Para conseguir identificar a gravidade e a extensão do problema, é comum o paciente realizar exames de tomografia computadorizada no tórax, radiografia e teste de respiração.

Sintomas da Bronquiectasia 

Sintomas da Bronquiectasia 

Sintomas da Bronquiectasia

bronquiectasia pode acontecer em pacientes de todas as idades. Em grande parte dos casos, os sintomas surgem de forma gradual. Normalmente, eles começam após o paciente ser acometido por uma infecção respiratória. Com o passar dos anos, os sintomas vão piorando. 

Na maioria dos pacientes, surge uma tosse crônica, e que provoca um muco espesso. A extensão do problema é o que determinará o tipo de expectoração e a quantidade da mesma. Bem como se acontecer alguma infecção também. Nesse caso, diz-se que houve uma exacerbação do problema. Os ataques de tosse costumam acontecer mais de manhã e no fim do dia.

Outro sintoma comum da bronquiectasia é a hemoptise (tosse com sangue). É algo comum de acontecer, pois as paredes da via aérea estão danificadas e frágeis, e também possuem um número maior de vasos sanguíneos. Em alguns casos, a hemoptise pode ser o único sintoma presente da bronquiectasia.

Algumas pessoas podem apresentar dor torácica frequente ou febre, apresentando ou não crises de pneumonia com frequência. Nos casos de bronquiectasia generalizada, o paciente pode apresentar falta de ar e chiado também. Quando a doença progride para insuficiência respiratória crônica ou cor pulmonale, sentem muita falta de ar, que vai piorando, sentem fadiga e letargia, principalmente quando o paciente realiza algum esforço. Nos casos mais graves e crônicos da bronquiectasia, o paciente também perde peso.

Principais Causas da Bronquiectasia

Bloqueio Brônquico

• Tumor no pulmão

 Objeto inalado

 Acúmulo de muco por causa de algum problema, como a aspergilose broncopulmonar alérgica, por exemplo.

 Linfonodos aumentados

 Cirurgia pulmonar

Infecções Respiratórias

 Infecção micobacteriana (ex: tuberculose)

  Infecção viral (ex: gripe)

 Infecção respiratória (ex: vírus sincicial)

 Infecção adenoviral

 Sarampo

 Infecções bacterianas

 Micoplasma

 Infecções por Staphylococcus

Doenças hereditárias

 Discinesia ciliar primária (inclusive Síndrome de Kartagener)

 Fibrose cística

 Deficiência de alfa1-antitripsina (nos casos mais graves)

Lesões por inalação

 Inalação do ácido gástrico e de partículas de alimentos

As causas mais comuns da bronquiectasia são infecções repetidas ou graves, que acontecem com mais facilidade em pessoas que apresentam um ou mais dos problemas abaixo:

• Doenças hereditárias como, por exemplo, a discinesia ciliar primária, em que a capacidade de limpeza do paciente, das vias respiratórias, apresenta uma deficiência.

• Algumas doenças autoimunes, como a colite ulcerativa, artrite reumatoide e a síndrome de Sjogren.

• A inalação de alguma substância tóxica, que cause problemas para as vias aéreas, como fumaça (inclusive a de tabaco), vapores, poeira tóxica (como o pó de carvão e a sílica, por exemplo), gases nocivos 

• Fibrose cística, como já mencionamos.

• Imunodeficiências.

As pessoas com asma podem desenvolver um quadro clínico que atinge as vias aéreas maiores, que se chama aspergilose broncopulmonar alérgica. Trata-se de uma reação alérgica ao organismo fúngico chamado Aspergillus. Ele é capaz de provocar o acúmulo de secreção, que causa a obstrução das vias aéreas, e que também provoca a bronquiectasia.

Nos países em desenvolvimento, a tuberculose é a causadora da maioria das infecções repetidas ou graves que provocam a bronquiectasia. Outros fatores que também ajudam é a falta de vacina e a má nutrição.

No entanto, pode acontecer também de não ser identificada a causa da bronquiectasia em algumas pessoas, ainda que sejam feitos vários exames e uma investigação completa.

Diagnóstico da Bronquiectasia 

Diagnóstico da Bronquiectasia

Diagnóstico da Bronquiectasia

Os médicos realizam o exame clínico no paciente e, de acordo com os sintomas apresentados pelo mesmo, já é possível suspeitar que o paciente tem bronquiectasia. Diante disso, alguns exames mais comuns solicitados pelos médicos são:

• Tomografia computadorizada (exame mais preciso para diagnosticar e avaliar a extensão da doença)

 Radiografia do tórax

 Exames específicos de acordo com os sintomas que o paciente apresentar

 Testes da função pulmonar

Teste Da Função Pulmonar

Teste Da Função Pulmonar

Os médicos solicitam os exames para confirmar o diagnóstico, tentar identificar a causa do problema e avaliar a extensão e gravidade da doença. Nas radiografias, normalmente os médicos conseguem verificar alterações pulmonares que a bronquiectasia causa. Porém, em algumas ocasiões, as radiografias podem apresentar resultados normais.

Os testes de função pulmonar avaliam o funcionamento dos pulmões. Eles conseguem medir a capacidade que os pulmões têm de movimentar o ar para fora e para dentro, a capacidade que ele tem de manter o ar e de realizar a troca do oxigênio e do dióxido de carbono. Esse teste não serve para diagnosticar a doença, mas para ajudar a identificar a extensão da bronquiectasia, e também para acompanhar a evolução com o passar do tempo.

Após o diagnóstico da doença, é possível que os médicos peçam para o paciente realizar outros testes, que servirão para identificar se existem outras doenças capazes de provocar ou de contribuir para o agravamento da doença. Dentre esses testes, podemos citar:

• Medição do nível de sal que existe no suor do paciente, o que não é normal nos pacientes com fibrose cística.

• Teste de HIV e também de outras doenças que afetam o sistema imunológico. Bem como teste de doenças autoimunes.

Teste de HIV

Teste de HIV

• Teste para diagnosticar tuberculose, aspergilose broncopulmonar alérgica e tambpem deficiência de alfa-1 antitripsina.

• Usar um microcópio especial para analisar amostras brônquicas, nasais e de esperma.

• Testes para identificar se os cílios possuem defeitos estruturais ou defeitos funcionais.

Há casos em que a bronquiectasia se limita a apenas uma área como, por exemplo, um segmento pulmonar ou um lobo. Em situações como essa, os médicos costumam solicitar ao paciente uma broncoscopia, que poderá determinar se o que causou o problema foi um tumor no pulmão ou um objeto estranho que o paciente inalou.

Se houver histórico familiar, algum achado incomum em adulto ou criança, ou infecções respiratórias recorrentes, os médicos podem achar conveniente a realização de testes genéticos para verificar a existência de fibrose cística, ainda que o paciente não apresente outras características que sugerem essa doença hereditária.

Uma amostra de escarro pode ser coletada para ser levada a um laboratório. Lá, é feita a cultura (cultivo) das bactérias. Assim, é possível verificar quais são aos tipos de bactérias presentes e com qual antibiótico é mais conveniente tratar. Ou seja, qual medicamento é mais eficaz contra o tipo de bactéria encontrado, para ser usado em casos de crises.

Como Se Prevenir Da Bronquiectasia

Quando é possível identificar, de forma precoce, os quadros clínicos que podem causar a doença, pode ser possível impedir que ela surja ou diminuir a sua gravidade. De acordo com pesquisas, mais da metade dos casos da doença nas crianças podem ser identificados de forma precisa e tratados com antecedência.

Nas crianças, algumas formas eficazes de prevenção da bronquiectasia são: imunização contra coqueluche e sarampo, uma boa nutrição e condições de vida mais adequadas.

Outras formas que ajudam a evitar ou reduzir a gravidade da doença são: vacina pneumocócica, vacina contra a gripe anual, uso de antibiótico certo no começo de infecção pulmonar. Além disso tudo, alguns cuidados importantes são:

• Evitar a exposição à vapores, poeira, fumaças, gases nocivos ou tóxicos;

• Usar, de forma correta, corticosteroides e medicamento antifúngico em pacientes que apresentam aspergilose broncopulmonar alérgica;

• Tomar muito cuidados com as crianças, para que elas não coloquem na boca objetos estranhos e impedir que elas inalem objetos pelas vias aéreas;

• Não usar óleo mineral e nem vaselina no nariz, uma vez que eles podem ser inalados para o pulmão,

• Dentre outros…

Tratamento Para a Bronquiectasia

Os tratamentos mais comuns são:

• Há casos em que pode ser preciso oxigenoterapia;

• Uso de antibiótico que trata as infecções que causam ou que pioram a doença;

• Vacinação que ajuda na prevenção de infecções que provocam ou pioram a doença;

• Em casos raros, pode ser feita uma cirurgia para remover a parte do pulmão afetada;

• A drenagem de muco das vias aéreas por meio da fisioterapia torácica, de exercícios regulares e também com o uso de outras técnicas específicas.

O tratamento dessa doença é voltado para a diminuição da frequência com que acontecem as infecções; para a prevenção de novas infecções por meio de vacinas; redução da inflamação; redução da secreção e também o alívio e o bloqueio de vias aéreas.

Quando a bronquiectasia é tratada de forma precoce, e de maneira eficaz, pode contribuir muito para diminuir as complicações que costumam acontecer, como os níveis baixos de oxigênio no sangue, a hemoptise, a cor pulmonale e a insuficiência respiratória.

Tratamento de Bronquiectasia

Tratamento de Bronquiectasia

Quando acontece a exacerbação da doença, o tratamento é à base de antibiótico, fisioterapia torácica, broncodilatadores. A fisioterapia torácica contribui para a drenagem de muco. Ela inclui técnicas como percussão torácica e a drenagem postural. No caso de pacientes que apresentam crises com frequência ou quando possuem fibrose cística, normalmente, o tratamento com os antibióticos costuma ser administrado durante um período maior. Isso ajuda a prevenir as infecções frequentes.

Quanto às demais situações da doença, as formas de tratamentos podem ser:

• Bloqueio brônquio: antes de acontecer uma lesão grave, a doença pode ser tratada por broncoscopia.

 Níveis de oxigênio baixos no sangue: nesse caso, trata-se o problema com oxigenoterapia. A utilização adequada do oxigênio contribui para a prevenção de complicações como, por exemplo, a corpulmonale. O uso de corticoteroides inalados e de broncodilatadores pode ajudar caso o paciente apresente falta de ar ou sibilos. Quando há exacerbação, o tratamento costuma conciliar o uso de antibióticos com esses medicamentos, mais os corticosteroides orais nos casos mais graves. 

É raro acontecer de ser preciso remover uma parte do pulmão. Essa cirurgia só costuma ser indicada quando a doença se restringe ao pulmão. Preferencialmente a um segmento pulmonar ou um lobo. Esse procedimento cirúrgico costuma ser indicado para pacientes que apresentam recorrentes infecções, mesmo se tratando, ou para quem tosse muito sangue.

 Tosse com sangue: usa-se uma técnica denominada embolização para tratar nesses casos. Essa técnica consiste no uso de um cateter que é injetado com uma substância que irá bloquear o vaso que está apresentando sangramento.

 Bronquiectasia avançada: em alguns pacientes, especialmente naqueles que também apresentam fibrose cística em estágio avançado, pode ser preciso realizar um transplante pulmonar. As funções do pulmão, medidas pela taxa e pela quantidade de ar saindo e entrando no pulmão em cada respiração, e também pela quantidade de ar nos pulmões, costumam melhorar num período de 6 meses. E essa melhora se mantém, pelo menos, por 5 anos.

Gostou? Curta e Compartilhe!

Categoria(s) do artigo:
Doenças

Artigos Relacionados


Artigos populares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *